quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Preságio

Recife-Lisboa, 14/08/2013

Bom preságio.

Uma simpática mulher sorri para mim dentro do avião logo no início da viagem. Já perto de chegar em Lisboa, onde farei conexão para Paris, vai até a minha poltrona e diz que ouviu minha conversa no aeroporto e estava curiosa por minha peregrinação a Santiago de Compostela.

É que ela conhece um médico da cidade dela no interior de São Paulo que já fez o caminho três vezes.

A história é interessante: ele não acreditava em Deus diferentemente de toda sua família e achava que no Caminho tiraria essa história a limpo.

Da terceira vez teve o encontro que acreditava nunca ser possível e na volta pediu perdão aos filhos e esposa.

Ele está escrevendo um livro sobre sua experiência e ela irá me avisar quando for lançado.

Comecei bem minha aventura.  Sem dúvida um bom preságio.

O comandante avisa que Lisboa está próxima e Graziela se despede dizendo que tenho um sorriso cativante e que conhecerei muitas pessoas interessantes.

Tenho a impressão que ela sabe que também tem.

Boa viagem para ela.

E para mim também.

Até breve.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mochila pronta!

Uma das grandes dúvidas e que merecem grande atenção de todos que vão percorrer o caminho de Santiago,  é a mochila e o que levar nela.

Tamanho, modelo, peso e principalmente o que levar são preocupações que chegam a tirar o sono do futuro peregrino.

Dizem que tudo que se acha imprescindível fica no meio do caminho.  O necessário no fundo é muito pouco. Ou como se costuma dizer: "menos é mais".

Imagina carregar um peso nas costas por tanto tempo e por tão longe!

Pois é, depois de tanto tempo de preparação está ela aí, prontinha para viver esta grande aventura de desafios esperados e de tantos outros que me esperam sem eu ter a menor idéia de como serão.

Até breve!



domingo, 11 de agosto de 2013

Companheiros peregrinos

   Um dos momentos importantes e até certo ponto místico de quem se propõe a fazer o caminho é a preparação.

Comecei a minha há 4 meses quando junto com meu amigo de infância Rodrigo Suassuna começamos a pesquisar roteiro, equipamentos e dicas.  Passado um tempo, e com a desistência de Rodrigo,  me vi sozinho e com um grande desafio pela frente.

Sozinho? É verdade, caminharei sozinho pelos 800 km que separam os pontos de partida e chegada, mas a única coisa que parece que sentirei é a solidão. Isto por conta dos amigos perês. Tanto no caminho quanto na preparação.

Nas buscas pela Internet descobri algumas associações de amigos do caminho. Inclusive em Recife onde conheci Fátima, a presidente que me acolheu junto com tantos outros entre os que já fizeram como os que estão se preparando como eu.

As reuniões são mensais e lá tive a oportunidade de aprender tanto que nem imagino como seria sem eles.

Na última reunião a pauta era: o que fazer para comemorar o dia de Santiago?  Para minha alegria resolveu-se por uma caminhada de Casa Forte a Aldeia no sábado após o 25 de julho e lá chegando receberia a sonhada credencial do peregrino!

Após 3 horas exatas de caminhada chegamos ao restaurante escolhido. Com tantos amigos tinha que escolher 1 padrinho para me entregar a credencial.  Escolhi Armando, peregrino recente que com sua esposa Madalena acaba de percorrer um trecho do caminho francês, recebi com toda cerimônia e emoção minha credencial.

Muitos abraços e desejos de Buen Camino de todos meus amigos perês e nas fotos abaixo além de Armando, o amigo Manuel Durão e Mário que lançou recentemente seu livro.

Até breve!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Santiago de Compostela

    25 de julho de 2013, aniversário de meu afilhado e único sobrinho Tiago. Dia de comemorar seus 4 aninhos mas também de comemorar o dia de seu xará e apóstolo de Jesus Cristo, São Tiago Maior.

Daqui a poucos dias começo uma grande peregrinação a caminho da cidade onde estão seus restos mortais em Santiago de Compostela, Espanha.

Espero atualizar este blog com o máximo de informações, impressões,  e sentimentos desta grande aventura física e de fé pelos 800 km que percorrerei a pé desde a cidade francesa de Saint-Jean-Pied-de-Port.

Até breve!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Win the World


 



    Senti uma enorme emoção hoje, como senti aos 16 anos embarcando rumo ao desconhecido em meu primeiro intercâmbio ao exterior.

Daniele Lima de Cabrobó, município do sertão de Pernambuco, e Elves Henrique de Jaboatão dos Guararapes na região metropolitana do Recife, os dois também com 16 anos, estão experimentando uma emoção ainda maior,  já que também é a primeira vez que viajam de avião.

Daniele e Elves estão entre os 38 jovens alunos da rede estadual de ensino que seguem neste vôo para São Paulo para que de lá ganhem o mundo, mais precisamente o Canadá.

Eles viajam uniformizados, com uma mochila legal, um modelo de tablet/netbook com skype instalado para se comunicarem com a saudosa família e um cartão Visa onde poderão sacar sua mesada de R$600 mensais convertidos na moeda local. 

Ao todo serão 1.000 alunos contemplados com esta incrível experiência que é morar fora numa casa de família ou "host family" e frequentar também outra escola pública onde não só aprenderão a língua local como outras disciplinas exigidas pelo MEC para equivalência na volta ao Brasil.  Os alunos irão para o Canadá, EUA, Nova Zelândia, Espanha, Chile e Argentina

Serão 6 meses estudando no exterior o que certamente mudará de formas diferentes a vida de cada um deles.

Ver o nosso dinheiro empregado desta forma, ao todo foi gasto R$50 milhões com o programa, me deixa muito feliz. Mais ainda que se fosse construido uma ponte ou viaduto no nosso estado. Apenas quem teve a oportunidade, como eu tive, de morar no exterior, sabe que não há coisa melhor a se fazer por esses 1.000 jovens que mudarão suas vidas e que isso também afetará positivamente as nossas.

Boa sorte a todos eles!


Até breve!
 
  

terça-feira, 13 de março de 2012

Um ano após o grande desastre



Kawabe-san, ou apenas Otosan (pai) mostrando as áreas afetadas pelo tsunami dois meses depois, quando estive lá. Ele que nos deixou preocupados por 10 horas sem notícias há um ano atrás em Sendai, capital da região atingida.


   Estava em Munique no dia 11 de março de 2011 pronto para me despedir dos amigos Antônio Henrique e Ian Mac Dowell e seguir para uma curta viagem nos arredores do Lago de Constância com minha prima Cecília e sua família.

Subi ao quarto para fechar a mala quando acompanhei estarrecido o tsunami destruindo a região próxima de Sendai no Japão.  Um terremoto em alto mar de escala 10 estava causando todo aquele estrago.

Imediatamente liguei para meus pais japoneses, e os telefones estavam mudos.  Sabia que o tsunami nunca chegaria à sua casa pois fica longe do mar e num ponto alto da cidade.  Mas e o terremoto?  9 graus na Escala Richter que foi a intensidade do tremor em Sendai, seria o maior terremoto que já tive notícia.  Quando morei lá, em um ano, senti alguns tremores, mas nada que ultrapassasse os 4 graus.

Após tentar falar com Yutaka (que mora em Yokohama no sul do país) também sem sucesso, finalmente consegui falar com Hiraku (o irmão mais velho) que me tranquilizou em relação a Okasan (nossa mãe) que estaria em Tokyo e Yutaka que estava preso no trabalho e teria que dormir por lá essa noite pois todos os trens do país estavam parados.

A preocupação recaía apenas em Otosan (pai) que na hora do tremor estava no trabalho em Sendai e não tínhamos notícias dele.  

Longas 10 horas se passaram sem notícias até que ele finalmente conseguiu mandar um email tranquilizando todos que estava bem.   Muito difílcil para mim pois estando tão longe na Alemanha, nada podia fazer. 

O Japão estava no meu roteiro de volta ao mundo dois meses à frente.  Sendai seria minha base pois lá vivi e aprendi a amar esta família que me recebeu como filho há 19 anos atrás.

Preocupado com os acontecimentos, mas alividado com a integridade de todos, segui minha viagem: Alemanha, Áustria, Hong Kong, Tailândia, Myammar, Laos, Singapura.  Todos amigos e familiares então tentam me convencer a não ir ao Japão por conta do risco nuclear de Fukushima.  Realmente a coisa ficou preocupante por lá e inclusive ofereci abrigo em Hong Kong para a família que estava no Japão e eles recusaram. 

Difícil ver pânico entre os japoneses.  Além disso, eles vêem os eventos da natureza com naturalidade e resiliência. Talvez pela adoração que tem por ela através do Xintoísmo, sua principal religião além do budismo.

Pessoal, desde junho do ano passado não postava no Flanador.  A volta ao mundo terminou, já fiz outras viagens mundo afora e pretendo dar continuidade ao blog.  Ainda tenho muita história pra contar desta maravilhosa volta ao mundo e começarei pelo Japão, este país maravilhoso por sua gente e cultura!

No próximo post veremos os estragos do terremoto e tsunami e os esforços para a reconstrução.


Até breve!



Cozinha da casa dos Kawabe após o terremoto de 11/03/11 (foto: Kawabe Yasushi)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Mahalo Hawaii :-)

O Hawaii de nossas fantasias de adolescência

   O Hawaii é "mara", assim diria Malu, minha mais recente amiga conquistada nesta intrépida viagem.  Nos conhecemos através de Georgia, antiga amiga de Recife que não a via há exatos 17 anos.  Tanto se reclama da tecnologia e seus males para os relacionamentos de hoje, mas foi graças ao Facebook que nos reencontramos virtualmente e agora pessoalmente.

Outro amigo recente e uma grande surpresa pela empatia instantânea, pensamentos comuns e interesse em saber onde essa tecnologia irá nos levar (Edu trabalha na área de TI), também conheci aqui no Hawaii.  Eduardo que também é um flanador, foi apresentado por email por nossa amiga em comum Mili de Floripa.

Eu vinha para Honolulu mais porque ficava no meio do caminho entre o Japão e a Califórnia, meu próximo destino. Queria também saber como era o Hawaii.  Tantas histórias, tantas lendas, o surf, as lindas polinésias dançando hula...

Mas de alguma forma achava que tudo não passava de marketing e não seria nada mais que um lugar turístico, comercial.

O Hawaii amigos, é na verdade tudo isso.  Apesar de ficar apenas 1 semana na principal ilha, Oahu, de um total de 7, experimentei vários Hawaii's.  E se ficasse um pouco mais poderia ter mergulhado ainda mais neste estado americano que mais parece um país com inúmeras influências além do "american way of life".

O Hawaii que está em nossas mentes e memória de adolescência existe sim, e depende da sua disposição de explorar o lugar.  Surfar numa long board alugada na beira da praia de Waikiki no final da tarde assim como Duke fazia há 100 anos e ainda ouvir o Hula que vinha da praia foi de arrepiar.  Após pegar algumas ondas tive que voltar para a beira da praia para conferir a graciosidade dessas lindas mulheres reverenciando a natureza com seus movimentos suaves e encantadores.

North Shore e Pipeline também será inesquecível.  Meca do surf mundial, com suas ondas gigantescas, já sepultou vários surfistas como Sion Milosky há apenas 3 meses. Reverenciado por colegas foi possível ver sua prancha partida em sua homenagem, esta que tirou a sua vida.


E se todas nossas maravilhosas praias fossem tão protegidas como Hanauma Bay? Tive que assistir a um vídeo e a uma palestra antes de entrar na praia.  Tudo para conscientizar as pessoas sobre a vida marinha e como devemos proteger e respeitar.


O Hawaii é no entanto muito mais que isso.  Mas aí, como diria Malu antes de continuar seu raciocínio, segurando seu Mai Tai na beira da piscina do Sheraton Waikiki:  "teríamos que molhar um pouco as palavras"...

Confira as fotos clicando aqui.


Até breve!